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2018 – O ano para quebrarmos o silêncio! – Editorial Miguel Arenhart, presidente da ACIL

22/12/2017
Institucional

Ao ser empossado Presidente da ACIL, em abril de 2016, transmiti aos associados e à comunidade que assumia a função por acreditar no Brasil e num futuro melhor. Na oportunidade, ressalvei que a participação da sociedade civil organizada, neste processo de mudança e renovação, é primordial.

O país enfrenta mais uma crise, só que esta é diferente. É crise das crises, a maior de sua história. O custo que os brasileiros estão pagando em decorrência do comportamento de muitos irresponsáveis Governos está sendo extremamente alto e doloroso. Entretanto, não há como negar que a situação de dificuldade extrema é oportuna para a implantação de mudanças profundas, que são fundamentais para o nosso desenvolvimento.

Não há dúvida de que o Estado de bem-estar social, idealizado pela Constituição de 1988, é insustentável. Na teoria, ele é perfeito! Porém, na realidade, não passa de mera ilusão. O Estado Brasileiro, ao longo das décadas, foi sendo aparelhado de tal forma que sua invejável arrecadação – 9ª maior do mundo – não é suficiente, sequer, para assegurar o mínimo de segurança para seus cidadãos. São muito poucas as obrigações atribuídas aos Estado que são prestadas com razoabilidade.

Mas nem por isso eu deixo de acreditar. Afinal, mudanças drásticas somente são implementadas quando a dor da inércia é maior. Diante deste cenário, temos duas opões: ou permanecemos inertes, tendo pleno conhecimento de que o silêncio é sinônimo da nossa anuência com o que está posto, ou deixamos nossa zona de conforto para exigir mudanças.

No próximo ano, haverá eleições e a decisão que tomaremos será extremamente relevante para definirmos os rumos que o Brasil tomará. Entretanto, não podemos nos limitar apenas às urnas. Precisamos acelerar este processo de mudanças.

Sei que isso parece utópico, mas não é.

Afinal, estamos assistindo calados ao dinheiro público, fruto do suor do nosso trabalho, sendo utilizado para sustentar algumas categorias de servidores que recebem remunerações – recheadas de privilégios – que ultrapassam, em muito, o limite constitucional. Isso é, no mínimo, uma indecência. Somos recordistas mundial em gasto com a Justiça, mas justiça é o que menos se vê no Brasil. O poder Legislativo, em especial em níveis estadual e federal, literalmente zomba da população com a quantidade de ‘assessores’, ‘servidores’ e benefícios próprios. Basta ver os respectivos orçamentos destas casas e o quanto elas contribuem, efetivamente, para transformar este país. Nossos governantes, literalmente, vivem como monarcas.

Nestas condições, proponho uma profunda reflexão acerca de todo este contexto. Precisamos externar nossa indignação! Não podemos mais tolerar sustentar superestruturas e bancar salários completamente distorcidos da realidade do povo brasileiro, num cenário em que sequer sobram recursos para o mínimo dos mínimos!

Precisamos, portanto, protestar, ir às ruas, se for preciso, não apenas contra um ou outro governante, mas contra este sistema, que simplesmente trava o nosso desenvolvimento. O Brasil, classificado na 118ª posição no Índice de Liberdade Econômica, tem estrutura de poder que facilita a corrupção e proporciona à população – a todos nós – uma vergonhosa posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano.

Vamos quebrar o silêncio?

Miguel Arenhart, presidente da ACIL

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