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Inovação pauta último dia da Jornada Técnica do Setor Alimentício

19/05/2017
Eventos

O último dia da Jornada Técnica do Setor Alimentício 2017 – AlimentaAçãoRS foi marcado por quatro painéis que tiveram como tema central a inovação. A primeira palestra desta sexta-feira (19) foi sobre “A implantação das boas práticas de fabricação para legalização das empresas ervateiras no RS”. Abordado pela engenheira de alimentos da Emater, Bruna Bresolin Roldan, o assunto é de grande importância, tendo em vista o destaque da região alta do Vale do Taquari. Segundo ela, Arvorezinha e Ilópolis são o polo com maior volume de produção de erva-mate no Estado.

Bruna relatou o trabalho do órgão em parceria com a Secretaria Estadual da Saúde para qualificação do setor. “Identificamos mais de 200 ervateiras gaúchas e um grande número delas na informalidade, exigindo uma ação por se tratar de alimento que não estava sendo oferecido com a segurança necessária”. Isso levou à formação de um grupo de trabalho, listagem dos pontos críticos de processamento, até chegar na publicação de uma portaria, em 2016, com a exigência de um responsável técnico com curso de boas práticas de fabricação em erva-mate em todas as empresas. “Atender as boas práticas é garantir a oferta de um alimento seguro, adequado à legislação e que respeita o consumidor, garantindo também a sua satisfação”, ressaltou a engenheira.

O Seminário de Inovação foi iniciado pela professora doutora Daiana de Souza, da Unisinos, que palestrou sobre “Rotulagem de alimentos: da legislação à inovação”. Ao ressaltar a relação entre inovação e rotulagem, ela explicou que uma das funções da embalagem é comunicar, e para que essa comunicação seja adequada e efetiva, é fundamental que se tenha domínio da legislação. Dados como nome, marca, lista de ingredientes, prazo de validade e instruções de preparo são obrigatórias nos rótulos, assim como informações nutricionais e presença de alergênicos, mas não garantem a compreensão efetiva de seu conteúdo. Como ponto de partida para melhorar a comunicação, Daiana apontou o conhecimento do público-alvo e das leis, o que passa pela qualificação dos profissionais envolvidos e pela oferta de informações mais simples e claras. “A gente pode usar a criatividade para trabalhar. Buscar formas inovadoras de comunicação é extremamente importante”. Ela salientou: “A indústria precisa se posicionar para realmente atingir de forma efetiva a comunicação com o consumidor, porque só assim vai conseguir inovar e poder colher os frutos dessa inovação de verdade”.

Para falar sobre “Inovação em alimentos: a ciência gerando novos negócios”, a professora doutora Renata Cristina Ramos citou o case da Nutrifor, instituto tecnológico ligado à Unisinos que trabalha com inovação em alimentos para a saúde e que tem como missão desenvolver a produção de conhecimento diretamente relacionado ao setor alimentício. Como coordenadora do projeto, ela descreveu a atuação do instituto e narrou a forma como realizam as atividades de desenvolvimento, inovação, capacitação e análise de alimentos. “A Nutrifor se relaciona com as empresas fazendo produtos que são exequíveis, factíveis e que possam gerar negócios”, esclareceu. De acordo com Renata, ciência e tecnologia são a base do trabalho do instituto que presta serviços não só para indústrias de alimentos e bebidas do Rio Grande do Sul, mas também de todo o Brasil. Com exemplos de organizações que se beneficiaram das pesquisas da instituição, a professora destacou que são atendidas empresas de todos os portes: “A gente trabalha com quem tem necessidade de soluções”.

De uma forma dinâmica e descontraída, Cristina Lenhardt, da Tacta Foods School, encerrou o evento com a palestra “Inovação – a arte de fazer diferente”. Mencionando sua experiência na área técnica de alimentos e com o portal Sra Inovadeira, através do qual incentiva a inovação e busca compreender as barreiras que impedem sua chegada no mercado, ela contextualizou o tema no país e no setor alimentício, evidenciando o que é preciso e quais as ferramentas disponíveis para inovar. Para Cristina, inovação é o processo de fazer novas combinações, o que está sustentado em três pilares. O primeiro é a visão de longo prazo, que exige um planejamento estratégico de longa duração. Em seguida, a capacidade de aceitar o risco se torna algo inerente ao negócio. “É importante entender que se jogar na inovação é arriscado e pode não dar certo. A questão toda é o que fazer quando dá errado”, afirmou. Por fim, a aceitação das falhas é essencial, apesar de ainda se possuir uma cultura altamente punitiva que julga e condena quem erra, o que também bloqueia a cultura inovadora. A palestrante projeta uma gradual melhora no cenário nacional, o que favoreceria a visão de longo prazo e o desenvolvimento da inovação nos próximos anos. “Só vamos conseguir inovar de fato quando nos livrarmos do medo de errar e aprendermos a conviver com o maior nível de risco”, alertou.

  • Segundo dia teve quatro palestras - Crédito: Clarissa Jaeger
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  • Bruna Bresolin Roldan abordou a qualificação das ervateiras - Crédito: Clarissa Jaeger
  • Arte da inovação foi tema da palestra de Cristina Lenhardt - Crédito: Clarissa Jaeger
  • Daiana de Souza, da Unisinos, explicou sobre rotulagem de alimentos - Crédito: Clarissa Jaeger
  • Renata Cristina Ramos explanou o trabalho realizado com as empresas na Unisinos - Crédito: Clarissa Jaeger
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