Notícias

Jornada AlimentaAçãoRS: Meeting apresenta tendências e oportunidades de mercado

08/08/2019
Eventos

A sustentabilidade dos negócios faz parte dos objetivos da 3ª Jornada Técnica do Setor Alimentício – AlimentaAção 2019. Na edição deste ano, o Meeting Empresarial realizado nesta quinta-feira (8), no último dia do evento, convidou profissionais de economia, engenheiros e consultores de mercado para compartilhar tendências e oportunidades. Os assuntos trataram desde o cenário econômico até comportamento de consumidor, apontando caminhos e estratégias para a expansão das organizações.

Em resposta ao tema de sua palestra “Brasil em retomada: cenários e perspectivas econômicas”, André Nunes de Nunes trouxe para a plateia do evento informações relevantes e estratégicas para os negócios. O economista chefe da Federação das Indústrias do RS (Fiergs) observou a crise profunda que atingiu vários segmentos da sociedade, a qual classifica de saída muito lenta e gradual. Segundo ele, a expectativa é de que o país volte a crescer a partir desse segundo semestre, fechando o ano com 1% de evolução, e em 2020 na casa dos 2%. “É baixo, mas maior do que se teve nos últimos anos”, avaliou. Confiança elevada, queda sistemática do endividamento das famílias e estoques ajustados são alguns dos elementos apontados pelo economista que continuam presentes e sustentam a recuperação cíclica da economia. Nunes também apresentou gráficos com o cenário internacional, que sofre uma grande turbulência e passa por um claro processo de desaceleração, podendo ser ainda mais expressivo depois dos últimos movimentos da confusão comercial entre Estados Unidos e China. Sobre a Reforma da Previdência, considerou a importância de sua aprovação, mas ponderou: “é bom para o Brasil não quebrar, mas ela não vai gerar dinheiro no bolso, mais pedidos”. Para ele, agora haverá espaço para discutir outros temas relevantes para o crescimento do país, como Reforma Tributária, mais privatizações e concessões.

As oportunidades de internacionalização para o setor de alimentos foram abordadas pela técnica analista da Fiergs, Marina Finestrali. Ao citar a importância de trabalhar dados e fazer pesquisas para planejar avanços de mercado, sustentou que isso pode ser estratégico. “Somente assim é possível adaptar seu produto, as exigências dos diferentes mercados, as questões técnicas, comerciais, de marketing e embalagem”. Marina ainda comentou sobre os espaços em âmbito mundial, com ênfase para os mercados europeu e americano, e as vendas do Brasil, mais focadas em produtos primários do setor agroexportador e com grande foco no continente asiático. Ao especificar o Rio Grande do Sul e o Vale do Taquari, afirmou que há espaço para expansão. “Aqui há uma forte especialização da indústria de alimentos, de produtos manufaturados com maior valor agregado. Os principais mercados daqui estão mais na América Latina, mas também tem um grande potencial fora, como na Europa”.

Eficácia energética esteve em pauta no meeting com a explanação do diretor da Elnix Energy, Márcio Galon de Andrade. Ele apresentou soluções de redução de custos para as empresas de alimentos, tanto para pequenas como grandes, com foco em soluções de energia, indústria 4.0 e inovações. “Existem muitas formas de aumentar a produtividade reduzindo custo, tendo aumento de produtividade e menos perdas”.

A diretora do Tecnovates, Simone Stülp, divulgou à plateia as tecnologias e serviços disponíveis no parque tecnológico para as indústrias de alimentos. Apresentou as alternativas oferecidas, entre as quais de análise sensorial, desenvolvimento e controle de qualidade e o Market Hub, projeto do Tecnovates que busca conectar conhecimento e mercado. Simone ainda destacou as oportunidades das parcerias. “O momento econômico é interessante para pensarmos num outro modelo de parceria, que é entre universidade, empresa e poder público, porque é assim que funciona em vários países. Uma série de empresas tem recursos públicos aplicados no desenvolvimento dos seus produtos por estarem num ambiente tecnológico”, observou.

O aumento da população mundial, estimado em 9,8 bilhões de pessoas até 2050, e a questão comportamental tão diversificada pelos hábitos e culturas de consumo introduziram a palestra da engenheira de alimentos do Senai Lisiane Machado Rodrigues. A profissional explanou várias tendências, entre as quais soluções prontas. “Em 1960 se dedicava uma hora e meia por dia para cozinhar, e no ano passado já era de 50 minutos”, exemplificou. Além disso, o espaço para itens com novas fontes de proteína, como uso de algas e insetos; e o consumo evergreen, o qual prioriza todo o ciclo de vida do produto, também fizeram parte da apresentação. Ao listar alguns nichos de mercado, como veganos e fitness, observou que não existe uma opção certa ou errada a seguir, entendendo que tem mercado para todo mundo. “Apenas a marca tem que ter coerência com o que está vendendo”, advertiu. Os orgânicos, que estão em crescimento no Brasil, mas ainda mais voltadas aos alimentos primários encontrados nas feiras, no exterior já apontam um amplo mercado. “Enquanto aqui as apresentações são mais restritas, no exterior tem portfólios completos, desde papinhas para bebê, opções para adultos e pet”.

A última palestra do Meeting foi conduzida pelo coordenador estratégico de projetos do Sebrae, Roger Klafke. Ele explorou eixos como negócios que impactam, comportamentos de consumo, futuro da comida, proteínas alternativas, valorização dos ingredientes, rastreabilidade e transparência, e o impacto da tecnologia no consumo em geral. Para Klafke, há oportunidades para todo mundo, desde que haja uma testagem do mercado. “Quem tem uma ideia de negócio deve primeiro checar se realmente é uma necessidade do consumidor. A ideia pode ser boa, mas por algum motivo não ter aderência do consumidor”, observou. Numa região como a do Vale do Taquari, que tem predominância do leite, apontou dois caminhos: “ter escala e volume e estar trabalhando junto com grandes empresas ou, para o pequeno, talvez a saída sejam itens mais artesanais e especiais, para atuar num mercado de nicho. Tem que adequar o modelo de negócio a essas questões”.

  • Empresários marcaram presença no evento voltado à sustentabilidade dos negócios - Crédito: Simone Rockenbach
  • Economista André Nunes de Nunes revelou expectativa de crescimento de 1% da economia nacional em 2019 - Crédito: Simone Rockenbach
  • Internacionalização do setor foi o tema abordado por Marina Finestrali - Crédito: Simone Rockenbach
  • Questões econômicas foram debatidas por André Nunes de Nunes, Marina Finestrali e Valmor Mantelli - Crédito: Simone Rockenbach
  • Tendências foram apontadas pela engenheira de alimentos do Senai Lisiane Machado Rodrigues - Crédito: Simone Rockenbach
  • Diretor da Elnix, Márcio Galon de Andrade flou sobre eficiência energética - Crédito: Simone Rockenbach
  • Roger Klafke explorou assuntos como negócios que impactam e comportamentos de consumo - Crédito: Simone Rockenbach
  • Serviços e tecnologias do Tecnovates foram apresentados pela diretora do parque tecnológico, Simone Stülp - Crédito: Simone Rockenbach
  • Empresários marcaram presença no evento voltado à sustentabilidade dos negócios - Crédito: Simone Rockenbach
Assine a newsletter