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Modelo catarinense de inovação é o segundo do Brasil e serve como exemplo para os gaúchos

09/11/2017
Eventos

“As empresas tradicionais precisam se dar conta de que, se não inovarem, irão desaparecer. Hoje, qualquer negócio está sendo digitalizado por alguém. Temos exemplos absurdos de sucesso, Uber, Airbnb, Spotify, Amazon e outros. Como vamos nos preparar para isso? Temos que estar antenados.” A afirmação foi feita pelo presidente da Associação Catarinense das Empresas de Tecnologia (Acate), Daniel Leipnitz, que palestrou na reunião-almoço (RA) desta quinta-feira (09.11) promovida de forma conjunta pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) e o Parque Científico e Tecnológico Univates (Tecnovates). A exposição, intitulada “O Ecossistema Catarinense de Inovação”, teve a presença de cerca de 80 lideranças empresariais, comunitárias e políticas.

Acate
Criada há três décadas, a Acate atua em prol do desenvolvimento do setor de tecnologia do Estado de Santa Catarina. Ao longo da sua atuação, a Acate consolidou-se como uma das principais interlocutoras das empresas catarinenses de tecnologia junto aos poderes públicos municipais, estaduais e federal, além de outras entidades representativas e instituições do setor tecnológico, não apenas em Santa Catarina, mas no Brasil.
A Acate também atua na articulação entre o setor tecnológico catarinense, centros de ensino e pesquisa e agências de financiamento e mantém parceria com diversas empresas e entidades para oferecer benefícios e instrumentos de crescimento para seus associados.

Florianópolis
O palestrante contou como o estado de Santa Catarina tem-se destacado como polo de inovação em nível mundial. “A Acate tem sua sede em Florianópolis, que é conhecida por ser uma cidade turística. O turismo é sazonal e acontece do final de dezembro até meados de fevereiro. Uma cidade não se sustenta desta maneira. Florianópolis precisou se transformar e hoje está se convertendo em uma cidade de inovação e tecnologia,” explica.
O setor de tecnologia de Santa Catarina representa atualmente 5.3% (R$ 11,4 bilhões) do PIB do estado. Mesmo enfrentando a crise financeira dos últimos anos, o setor cresceu 3,6%, sendo este o maior crescimento do setor de tecnologia no Brasil em 2015. Considerando-se o decréscimo do PIB brasileiro, os polos de tecnologia de Blumenau e Florianópolis tiveram o maior crescimento no país.

Startups
Leipnitz apresentou um mapa do setor dos estados com a maior concentração de startups no Brasil. São Paulo concentra o maior número com 28,54%, seguida de Santa Catarina com 19,95%. O Rio Grande do Sul possui 4,06%. Em outro dado, o palestrante mostrou as cidades com maior concentração de startups do país. Novamente, o estado de SC perde apenas para São Paulo. “O que isso significa? Temos que fazer uma máquina de criar novos investimentos e empresas. É factível fazer isso,” adianta.

Centros de inovação
Em 2015, a Acate inaugurou o Centro de Inovação Acate CIA – Primavera, integrando empresas, incubadoras e o instituto de inovação I3. O espaço reúne diferentes ambientes de inovação, com vários elos, para que num mesmo local possam haver trocas de ideias, experiências e comercialização de projetos.
A Acate promove a articulação entre o setor tecnológico catarinense, centros de ensino e pesquisa e agências de financiamento; e as parcerias com empresas e entidades para oferecer benefícios e instrumentos de crescimento para seus associados. “A gente acredita que é muito importante ter parceria com todos os tipos de entidades. Se todo mundo está andando junto, é muito mais fácil passar credibilidade, realizar coisas e desenvolver-se.”
A Midi Tecnológico é a incubadora da Acate. Foi premiada por quatro vezes como a melhor incubadora do Brasil, nos anos de 2008, 2012, 2014, 2016. Uma das ferramentas que estimula o crescimento das empresas incubadas é a Rede de Investidores Anjos – RIA – formada por empresários e outros investidores que potencializam financeiramente os negócios.

Verticais de negócios
O palestrante explicou que a Acate divide as empresas em grupos, chamada “Verticais de Negócio”, que consiste na reunião de empresas que operam em mercados semelhantes e complementares, estimulando o associativismo e o relacionamento entre elas. “Esses grupos trocam informações, pesquisam de que forma podem vender no mercado. Às vezes, uma se funde a outra; em outros casos, uma empresa é comprada por outra. Assim, a gente vai desenvolvendo o setor. Essa troca de informações é muito importante, porque não dá mais para as empresas se encararem como concorrentes e isso é transformador. É devido a essas atitudes que uma empresa que, antes, levava 10 anos para crescer, hoje consegue em dois anos.”

Futuro
Leipnitz demonstra preocupação em relação ao futuro do mercado de trabalho. De acordo com dados que apresentou, 60% dos jovens estão aprendendo profissões que vão deixar de existir e, ainda, que 55% dos empregos existentes hoje serão extintos nos próximos anos. “É um negócio assustador, mas é a realidade. Vamos mudar nossa forma de pensar e nos preparar para o futuro,” deixou como recado final.

Realização
As RA de 2017 da Acil têm o apoio de Bebidas Fruki, BRDE, Excellence Garçons, Floricultura Flores e Flores, Lyall Construtora e Incorporadora, MSommer Produções, Olicenter Informática, Sorvebom e Têxtil Home.

  • Empresários e executivos ouviram com atenção os alertas sobre inovação - Crédito: Priscila Rodrigues
  • Leipnitz abordou o polo tecnológico catarinense em RA na Acil - Crédito: Priscila Rodrigues
  • Lideranças da Acil e Tecnovates conduziram as perguntas do público ao palestrante - Crédito: Priscila Rodrigues
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