Notícias

“O governo somos nós”, lembra Bandeira palestrando na reunião-almoço da Acil

07/12/2017
Eventos

Lajeado – “Se a gente não souber reconhecer os problemas, não tem como construir soluções. Começamos a perceber sinais de melhoria na economia, mas o Brasil precisa fazer o ‘dever de casa’. Se não souber aproveitar para encaminhar as reformas estruturais que necessitamos, a recuperação parará logo adiante e veremos mais um tombo na economia e todos os reflexos que ela significa para a sociedade.” A afirmação foi feita pelo administrador e consultor Mateus Bandeira, que palestrou na reunião-almoço (RA) desta quinta-feira (07.12) promovida pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil). A exposição intitulada “As oportunidades para 2018” teve a presença de cerca de 100 lideranças empresariais, comunitárias e políticas. Ao final de longa e embasada exposição, o palestrante lembrou a necessidade de mobilização social para promover as mudanças necessárias com a frase “o governo somos nós”.

Brasil
“Está todo mundo cansado de ouvir falar de crise,” admite Bandeira. Explica que vivemos um período histórico no país. Para ele, não há dúvidas de que esta crise é a mais grave de toda a vida nacional. Pela primeira vez, tivemos a superposição de crises fiscal, moral, política e econômica, reforça.

Segundo ele, a crise econômica é decorrência das crises política e fiscal. Ela já estava prevista e foi provocada pelo próprio governo brasileiro. Bandeira afirma que a crise vem desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, quando se instalou no país uma cultura de direitos, em que todos esperam que o estado possa tutelá-los.

“‘Todo mundo quer viver à custa do estado. Esquecem-se que o estado vive à custa de todos’, esta frase é de Frederic Bastiat, um grande jornalista e comunista francês. Ela sintetiza muito bem a cultura que foi consagrada na Constituição” enfatiza. Quando a mesma foi promulgada, trazia as palavras: “direitos” 76 vezes; “dever” quatro vezes; “eficiência” duas vezes; e “produtividade” uma vez. “Consagraram-se nesses direitos uma série de privilégios para determinados grupos que são reconhecidos como ‘direitos adquiridos’. Isto, obviamente, traz o complemento compulsório da obrigação adquirida de financiar esses direitos,” contrapõe.

Previdência
Bandeira expõe que a raiz do problema no país é a previdência. Parte expressiva da despesa previdenciária é determinada por legislação federal por idade mínima; aposentadorias especiais; paridade e integralidade. “Estamos falando de pessoas que se aposentam com 45 anos e possuem perspectiva de vida de 80 anos. Isso não é sustentável nem aqui e nem em lugar nenhum. O sistema de previdência do Brasil é o mais generoso do mundo. O que estamos fazendo, na realidade, é comprometendo a futura geração. Quando a gente decide sobre regras de previdência, fixa idades mínimas ou fixa “teto” para a aposentadoria, estamos contratando obrigação para a geração que vem a seguir. Estamos consumindo os recursos do país, que seriam usufruídos pelas gerações seguintes. Isso é dramático”, alerta.

Rio Grande do Sul
“Já saímos da crise e estamos vivendo um colapso. Um colapso é quando o governo não tem a capacidade de honrar por alguns meses a folha de salário, em especial da segurança pública. É uma coisa que afeta a todo mundo.”

O Rio Grande do Sul nos últimos anos cresceu menos que o Brasil. Cresceu em média 2%, enquanto que o país cresceu 3%. Nos últimos 12 anos, o Estado cresceu menos que os outros. Isso porque nossos impostos estaduais crescem menos que o dos outros, uma vez que a nossa economia também tem indicadores menores que o restante do país.

Bandeira explica que o problema da transição demográfica no Estado traz um agravamento para a situação previdenciária. “O Brasil é um país jovem, o que torna ainda mais dramático o problema da previdência. O RS tem uma situação muito delicada, porque tem mais idosos e uma trajetória de envelhecimento ainda maior, significa menos pessoas lá na frente trabalhando. O resultado disso tudo é que a gente não consegue fazer economia”.

Segundo o palestrante, as grandes causas da crise fiscal do RS estão em questões estruturais: déficits históricos; crescimento da despesa previdenciária; serviço da dívida alto; desempenho do ICMS; e em conjunturais: irresponsabilidade fiscal no período 2011-­‐2014; e a recessão econômica atual.

Oportunidades
“De forma muito otimista, tenho chamado esta palestra de ‘Brasil a caminho’, pois vejo que todos os problemas que nos trouxeram até aqui e que contribuíram para a falência fiscal do estado brasileiro na verdade também constituem as nossas oportunidades,” afirma.

Bandeira acredita que 2018 é a oportunidade para começar a promover mudanças e encontrar um caminho para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e Brasil. Segundo ele, as pessoas estão exaustas com o sistema político eleitoral e estão com a expectativa de apostar em algo novo. “Vocês, que são lideranças, têm o dever moral de levar a informação, de mobilizar outras pessoas sobre a necessidade de produzir reformas que o Estado e o Brasil precisam, de cobrar de quem, eventualmente, for candidato, um compromisso programático da solução desses problemas”, encorajou.

Otimismo
Bandeira apresentou as razões para o otimismo. Ele afirma que as eleições de 2018 serão definidoras, pois é uma oportunidade ímpar de mudança. Além da intolerância com a corrupção e privilégios; rejeição aos políticos e práticas políticas tradicionais; a profilaxia promovida pela Lava-Jato; temos a insatisfação com o custo da situação atual, que é maior que as mudanças. Ou seja, temos que partir para as mudanças.

Segundo o palestrante, a crise nos Estados também nos ajuda, pois todos os mecanismos já foram experimentados e não existem outras formas de financiamento para um Estado quebrado. Agora existe a oportunidade para defender uma reforma estrutural: implementar um estado menor, ter mais foco e eficiência nas ações essenciais; concretizar amplo programa de privatizações e PPP’s; fazer a reforma da previdência e o combate aos privilégios; e formalizar o regime de recuperação fiscal. Para a melhoria do ambiente de negócios, precisamos trabalhar a desburocratização, simplificação e eliminação de processos; inovação tecnológica e simplificação tributária; e economia de mercado, com menos intervenção estatal.

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.” Citando frase atribuída a Albert Einstein, Bandeira encerrou sua participação estimulado todos à mudança para um novo Brasil.

Realização
Esta foi a última RA de 2017 da Acil, que tiveram ao longo do ano o apoio de Bebidas Fruki, BRDE, Excellence Garçons, Floricultura Flores e Flores, Lyall Construtora e Incorporadora, MSommer Produções, Olicenter Informática, Sorvebom e Têxtil Home.

  • Bandeira discorreu sobre os cenários atuais e as oportunidades para 2018 - Crédito: Priscila Rodrigues
  • Lideranças empresariais, políticas e comunitárias ouviram Bandeira - Crédito: Priscila Rodrigues
  • Bandeira e Arenhart: palestrante respondeu inúmeras perguntas - Crédito: Priscila Rodrigues
Assine a newsletter